quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

A GERAÇÃO QUE PREFERE PERMANECER “DENTRO”

A GERAÇÃO QUE PREFERE PERMANECER “DENTRO”

RESUMO            

O presente escrito tem o objetivo de traçar um paralelo entre a igreja primitiva, nos tempos dos apóstolos e a igreja atual, mais especificamente a igreja brasileira. O interesse sobre o assunto sobrevém em momento oportuno, devido o grande desinteresse por parte dos cristãos a viverem uma vida que realmente agrade a Deus, observo que durante e após a pandemia da COVID 19 essa situação tenha se agravado. Os cristãos desta geração estão vivendo de forma diferente dos crentes primitivos no sentido da vida cristã, além de ignorarem boa parte dos ensinos das Escrituras Sagradas no seu dia a dia e viverem influenciados pela convivência, pela mídia, amizades e tantas outras coisas do mundo moderno. Este paralelo é de extrema importância para a vida do cristão da atualidade, a fim de que se mantenha na centralidade do evangelho e para que as gerações futuras possam vislumbrar um rastro luminoso a ser seguido. Nós, cristãos atuais, temos a responsabilidade de não permitir que o evangelho perca a sua originalidade, isso não se trata de costumes ou de dogmas regionais e denominacionais, mas de doutrinas e princípios cristocêntrico e teocêntricos. Vemos o surgimento uma geração de cristãos que não mais guardam a Palavra de Deus como ela é, não a tem como única e exclusiva regra de fé, tendem a deturpara os seus princípios e seguem os ideais de teólogos liberais que relativizam o texto bíblico, trazendo dúvidas quanto as bases que até aqui nos manteve firmados na verdade. Este texto pretende suscitar no leitor uma profunda reflexão sobre os princípios primitivos da igreja e impulsioná-los a aplicar no seu cotidiano, pois como afirmou JOHN WESLEY, “o que uma geração tolera a próxima abraça”.

 

INTRODUÇÃO

A igreja é um projeto divino desde antes da fundação do mundo (Ef 1.4,5), entretanto para dar início à esta grande obra, Deus olhou do céu e não encontrou sequer um ser humano que estivesse a altura moral e espiritual para assumir a missão de salvar a humanidade, então, Deus enviou seu filho Jesus Cristo para lançar os fundamentos e inaugurar a igreja, a noiva que até os dias atuais aguarda a sua volta (Jo 3.16). As bases do evangelho começaram a serem lançadas com o início do ministério de Jesus através de seus ensinamentos na Galileia e Judéia, culminando na cruz, na sua morte e ressurreição. Jesus é a pedra de esquina é o guia fiel da igreja, ele próprio disse a Pedro: “... e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela;” Mt 16.18. Se Ele é o Guia da igreja, é simples e lógico que devemos segui-Lo, e é por isso que o Apóstolo Pedro escreveu em sua primeira carta no capítulo 1 e verso 15: “... como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver;” Ser santo aqui e agora é estar alinhado com a santidade de Deus, pautar a vida cristã aos princípios bíblicos, estar em consonância com o caráter de Deus que é Santo e chamou os crentes para si, é colocar nossa fé na firmeza da Pessoa de Jesus e permitir que Ele nos tire para fora deste mundo, sem questionar, sem relativizar seus ensinos, mas aceita-los para alcançarmos os objetivos que Deus traçou para nós.

É notável a grande divergência de princípios vividos pelos cristãos do início da igreja com o que estamos vivendo hoje, todas essas mudanças foram causada pelo homem, eu e você, pois somos seres volúveis, imperfeitos e passíveis as influências externas e internas, porém Deus é imutável (Ml 3.6), Deus não muda e tem o maior interesse em manter a sua igreja estável, firme sem se render aos apelos do mundo moderno. Outrossim cremos em um Salvador e Senhor que permanece o mesmo. Quando Jesus viveu entre os homens agiu como um Mestre influenciador, não sofreu influências, não se rendeu ao sistema do mundo da época, Jesus não programou uma progressão de liberalidades, a sua Palavra é a mesma ontem, hoje e eternamente, a forma de Deus agir com a igreja é a mesma, pois Ele é Soberano e seus planos não podem ser mudados, por isso a igreja deveria seguir o mesmo princípio, permanecer naquilo que aprendeu (2Tm 3.14) porque Ele continua o mesmo, “Jesus Cristo é o mesmo ontem, e hoje, e eternamente”. Hb 13.8.

Em tudo isso há uma curiosidade digna de nota, se Deus e a sua Palavra são imutáveis, por que a igreja mudou? Porque a igreja aceitou as transformações causadas por falsos pastores, falsos líderes e falsos profetas? Onde e quando aconteceu essa mudança? A mudança aconteceu para melhor ou para pior? A resposta é óbvia, a igreja mudou porque não deu ouvidos a voz de Deus, aceitou mudanças vinda dos homens porque é mais fácil ouvir a voz do “líder” do que se ater à leitura do Texto Sagrado. Foram mudanças que deixaram a igreja vulnerável aos ataques do inimigo, porém isso aconteceu devagar, não foi algo rápido ou instantâneo, pois, o inimigo não tem pressa para destruir as nossas vidas e interferir na obra redentora do Deus Altíssimo. É lógico que qualquer coisa, ideia ou projeto é mais original no seu princípio, não seria diferente com o projeto de Deus, por isso é necessário uma verdadeira autocritica em cada crente, em cada igreja da atualidade, visando o retorno para a centralidade do verdadeiro evangelho de Jesus Cristo. Este é o maior desafio para todo o cristão atual.

1.    IGREJA PRIMITIVA COMO MODELO

A igreja primitiva vivia o cristianismo puro e simples, seguiram na simplicidade dos corações quebrantados quando ouviam as palavras de Jesus, iniciou aplicando todos os ensinamentos dos apóstolos (At 2.42ª), muito mais depois de terem sidos cheios pelo Espírito Santo que desceu sobre eles no dia do Pentecostes. Viviam separados do mundo da época, em certos casos até demais, a igreja primitiva se tornou reclusa, partindo o pão e orando nas casas firmados na promessa de que Jesus retornaria em pouco tempo, entendimento que foi se adequando a realidade bíblica. Ao tratarmos de ensinamentos, temos um contexto bem interessante, vejamos: Cristo havia ensinado seus discípulos por aproximadamente um ano e meio, caminhando e falando em parábolas, conselhos, princípios e ensinos, quando Jesus foi assunto aos céus eles começaram a assimilar suas palavras e creio que muitas coisas que outrora eram apenas teorias começaram a ter sentido prático, eles começaram a aplicar em suas vidas e também àqueles que Deus estava unindo à eles na formação da igreja, estes ensinamentos eram originais, sem interpretações teológicas, princípios puros, era exatamente esta formula de vida cristã que eles adotaram naqueles dias. Os apóstolos receberam os conceitos cristãos diretamente de Cristo e esses conceitos ainda estavam em sua forma mais original, não havia lentes nem filtros, a cultura era a mesma, a terra era a mesma, as verdades se completavam em seus corações ao assimilarem as parábolas e os exemplos pregados pelos apóstolos. Esta vontade de viver somente para Deus, começou a separá-los da sociedade da época, passaram a serem vistos com olhos desconfiados, chamaram a atenção da sociedade, inclusive atraíram perseguições porque estavam se adequando ao novo conceito de adoração ao Deus verdadeiro, sem rituais, sem templo, sem sacerdotes, mas se sentiam muito melhores do que praticando o judaísmo. A fé nas promessas era levada muito a sério, eles acreditavam que Cristo voltaria ainda naquele tempo para estabelecer o seu Reino, logicamente não aconteceu, todavia não perderam a esperança e cada dia mais se firmavam nas palavras dEle.

União, comunhão, obediência e crescimento

Era uma igreja que vivia na prática, a mais pura realidade do evangelho, todos os dias se reuniam nas casas e no templo comprovando que era um povo unido e companheiro, não apenas unidos, mas havia comunhão entre eles. Comunhão, do termo grego Koinonia, significa participar juntos em alguma coisa, mas também envolve a ideia de companheirismo e contribuição, pois essa é uma das maneiras de se compartilhar com outros das posses e dons que Deus nos confiou1.

A igreja primitiva também era obediente quanto a sua missão, além da comunhão, eles eram adoradores, prestavam homenagem a Deus com seus corações puros, pois a adoração é a maneira mais direta pela qual a Igreja honra a Deus2. Após se reunirem e adorarem a Deus eles saiam a evangelizar a cidade e o livro de Atos nos informa que “todos os dias o Senhor acrescentava aqueles que iam sendo salvos” At 2.47. Não é por acaso que a igreja primitiva crescia, mas os membros daquela igreja atraíam as pessoas pela maneira de agir, pela forma de adorar a Deus, pelo zelo por tudo o que aprendiam com os apóstolos, assim a igreja crescia em número e em qualidade, e os que iam sendo acrescentados também recebiam o ensino dos apóstolos e incentivados a agirem como os demais na prática das doutrinas, na adoração na evangelização e no serviço a Deus, algo que hoje está difícil de vermos, pois as pessoas “se convertem”, continuam agindo da mesma maneira e em muitos casos não servem de testemunho para ninguém, além de não se disponibilizarem para o serviço sagrado. Os registros bíblicos nos mostram que essas atitudes incomodaram os infernos e estes levantaram uma grande perseguição contra a igreja, entretanto, os cristãos não abandonaram o evangelho, suas bases eram sólidas, foi neste momento que os ensinamentos pelos quais eram edificados demonstraram sua solidez, dando força para a resistência da igreja contra os ataques do inimigo. Ao ler a os relatos da igreja primitiva passo a refletir, como que a igreja atual perdeu a essência do que viveu aquela. Hoje, quando falamos em união e comunhão nos parece que as pessoas desejam exatamente o contrário, cada qual deseja viver a sua vida sem se importar com o próximo e sem desejar a proximidade das pessoas, e os motivos para esse tipo de atitudes são variados. Quando falamos em obediência, uma parcela da igreja diz: “eu obedeço a Deus e a Bíblia”, entretanto não encontramos essa obediência em seus atos. Com isso o crescimento da igreja tem sido menor, muito menor do que a igreja viveu em seu princípio, naquela época mesmo vivendo a separação do mundo, com costumes rígidos a igreja crescia muito além do que cresce atualmente em que as regras, costumes e princípios em muitos casos não são mais observados. Os pastores de atualidade perderam a originalidade do evangelhos, tornam os princípios mais brandos pensando ser mais atrativos, porém isso tem levado a multiplicação de igrejas e ministério com gostos variados, permitindo as pessoas levarem uma vida de busca pela melhor igreja em vez de ir em busca de Deus, infelizmente é tudo o que o inimigo deseja.

2.    A PRÁTICA DO EVANGELHO

A Igreja primitiva praticava os ensinos de Jesus em suas atitudes diárias, seguiam com fé o que lhes havia sido ensinado pelos apóstolos, a forma como enfrentaram as perseguições nos primeiros dias, foram decisivos para que o inferno não acabasse com a igreja, comprovando as palavras de Jesus ao afirmar que “as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16.18b), era uma igreja que se preocupava com essas palavras de Jesus: “sejam santos como Eu sou Santo” (1Pe 1.15), pois realmente viviam em santidade. O que é mais eficaz na vida do cristão e que o mantém resistente contra o inimigo é uma vida de santidade, é ter uma vida plena nos princípios do verdadeiro evangelho. Como disse Jesus ao finalizar o Sermão da Montanha: “o que pratica essas minhas palavras é o homem prudente”, a prática dos ensinamentos faz a diferença da vida cristã, sempre que vier as chuvas e os ventos, o verdadeiro crente, firmado nas palavras de Jesus, permanecerá em pé. A igreja primitiva vivia realmente o significado da “EKLEZIA”, isto significa entender que a Igreja de Jesus Cristo é o local-sede do plano de Deus3. viviam “fora da bolha” do mundo da época, apesar de resistentes no abandono do judaísmo, todavia aos poucos foram deixando a religiosidade para viver a comunhão real com Deus. Os registros de testemunhos sobre a vida cristã, as perseguições e a comunhão que a igreja primitiva enfrentou, em muitos casos parece-nos contos irreais, mas era a mais pura realidade vivida por uma igreja santa, que com toda a sua força não abandonou os princípios de Jesus Cristo. Isto é viver a prática do evangelho.

Sede meus imitadores como eu sou de Cristo

Então surge o apóstolo Paulo, ensinando a igreja a viver a prática daquilo que Cristo ensinou, dizendo: Sede meus imitadores como eu sou de Cristo (1Cor 11.1), ele estava mantendo os princípios aplicados pelos apóstolos logo após o pentecoste. O Apóstolo Paulo sofreu, mas não desistiu de defender o Evangelho de Jesus Cristo e se não fosse ele, que tipo de evangelho teria chegado a nós? O apóstolo que foi chamado fora de tempo foi quem Deus separou para trazer o evangelho aos gentios, foi este homem que registrou a forma prática de viver os ensinos de Jesus, as cartas envidadas às igrejas, algumas com muito amor, outras extremamente preocupantes, outras exortativas, nos fazem entender a preocupação e a dedicação deste homem para que o evangelho fosse mantido original, ele não aceitou mudanças, ele aplicou a Palavra conforme ela é e conforme nós devemos também fazer. Temos uma excelente amostra da defesa do evangelho no primeiro capítulo da carta que Paulo enviou aos irmãos da Galácia, onde a preocupação era tanta que aborda o assunto com extrema urgência dizendo: “Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho,(Gl 1.6).

Paulo foi um grande defensor dos princípios genuínos do evangelho, usado por Deus para escrever àquelas igrejas as quais tiveram a maravilhosa experiência de receber suas cartas contendo ensinamentos que nos servem hoje. Assim como Cristo cumpriu a sua missão de fazer tudo o que o Pai lhe mandou, temos também o apóstolo Paulo, imitador de Cristo e exortando aos seus discípulos que fizessem o mesmo. Quantos líderes cristãos da atualidade podem dizer o mesmo? Será que se seguirmos seus passos seremos direcionados para a eternidade com Deus? Creio eu que aqui está a grande diferença entre a igreja primitiva e a igreja dos dias atuais. Muitas doutrinas e práticas, em nossos dias, têm surgido de visões e revelações, que por sinal são muito estranhas4. Esses acréscimos também tiram a igreja da centralidade do evangelho. Para muitos, parece que a prática da vida cristã é pouco, há uma necessidade de se criar atrativos para o povo e nesse anseio de fazer algo diferente caem no erro de adulterar e corromper a Palavra de Deus. Quem tenhamos coragem para viver assim como Paulo, imitando a Cristo!

3.    A REALIDADE DA IGREJA ATUAL

Vivemos dias de grandes dificuldades, pelo fato de a igreja atual não seguir o verdadeiro evangelho, de tempos em tempos vemos mudanças sendo aplicadas e princípios sendo desprezados, há uma grande falsificação do Cristianismo e que tem causado graves consequências no seio da igreja. O fato de estarmos nos preocupando com tal tema é ver que em poucos anos muitas coisas mudaram na caminhada da igreja, se voltarmos a lembrança da igreja a vinte anos atrás já teremos uma amostra do que tem ocorrido, em muitos casos o desrespeito pelas coisas sagradas acontece pelos próprios “crentes”, se estes são capazes de agir assim com objetos e templos, mandamentos, não serão princípios doutrinários e teológicos que os farão retrocederem, somente uma ação do Espírito Santo em cada coração e um movimento que tenha o objetivo de preservar os princípios bíblicos que nortearam a igreja do passado. O cristianismo antropocêntrico, a doutrina da prosperidade são acréscimos que tomaram o espaço do verdadeiro cristianismo, cristocêntrico e teocêntrico, tudo o que possa atrair pessoas estão sendo usadas nos púlpitos que deveriam conter apenas a Palavra de Deus, por essas e muitas outras, estamos vivendo uma geração que a cada dia se distancia mais do que é verdadeiro para viverem um cristianismo relativista, repleto de interpretações fundamentadas em achismos humanos, e não é que estamos sendo enganados por alguém, mas nós mesmos estamos falsificando o evangelho e nos distanciando da originalidade do mesmo.

Muitas vezes ficamos inertes, sem força para reprimir os erros doutrinários e as heresias que surgem em nosso meio, parece que a igreja atual não tem o poder que havia na igreja do passado, e tudo o que se oferece, se aceita, todas as inovações sejam doutrinárias, princípios morais e sociais estão sendo acrescentadas à igreja dificultando ainda mais a ação do Espírito Santo para realizar a sua obra entre os cristãos.

A igreja que podemos ser

Afirmo que a igreja atual pode escapar desse laço. Se a Palavra de Deus for de todo respeitada, assimilada e praticada a igreja não estaria vivendo as dificuldades de hoje, mas existe sim, a possiblidade de voltarmos a ser a verdadeira igreja que traz consigo os princípios que o Senhor nos deixou registrado, basta que tenhamos coragem e compromisso de voltar a praticar as boas obras do evangelho bíblico, de ouvir a voz de Deus, aceitar a Palavra como ela é sem medo de praticar, sem medo de perseguições, sem medo de dar bom testemunho em qualquer lugar que andarmos. É necessário um movimento conservador em nosso meio, que coloque na balança o que estamos aprendendo e ensinando, que passe pela peneira aqueles que não foram corrompidos pelo evangelho fácil, que venha reciclar os líderes cristãos que são os maiores responsáveis pelo estado atual da igreja. É necessário que a Palavra de Deus volte a ser respeitada e amada, não há outro caminho, a igreja do Senhor precisa ter as marcas do evangelho de Jesus Cristo. Quando Pedro pregava as almas se convertiam a Cristo, os enfermos eram curados, os necessitados eram amparados e muitos eram libertos, as pregações de hoje, quase não surtem o efeito esperado, as pessoas recebem a palavra como se fosse uma conversa de amigos que não causa o impacto que causava no passado. Muitas vezes me pergunto, até que ponto Deus terá misericórdia da geração atual? “Como escaparemos nós se negligenciarmos tão grande salvação?” (Hb 2.3).

 

CONCLUSÃO

É momento de assumir a responsabilidade de ser uma igreja relevante, aos moldes de Jesus Cristo, muitos entendem que os tempos mudaram e se faz necessário nos adaptarmos, entretanto os princípios que norteiam a nossa fé não se permitem ser mudados, quem está fora da centralidade do evangelho é a igreja atual e não o modelo de igreja que a Bíblia nos revela. Se há algo que perdemos, precisamos achar, se há erros, precisamos concertar, se há falta de observância da Palavra de Deus, precisamos voltar a observar. É necessário nos permitir ser trabalhados pelo Espírito Santo e deixar que Deus nos tire para fora, a igreja é um povo separado, selado, comprado e lavado pelo sangue de Jesus e não devemos decepcioná-Lo!

 

Bibliografia

 

1 MARTINS, Jaziel Guerreiro. Manual do pastor e da igreja. Curitiba: AD Santos Editora, 2012, p. 19.

2 MARTINS, Jaziel Guerreiro. Manual do pastor e da igreja. Curitiba: AD Santos Editora, 2012, p. 18.

3 SAVAGE, Tim. O Evangelho no Centro. São José dos Campos: Editora Fiel, 2019, p. 318.

4 ZIBORDI, Ciro Sanches. Evangelhos que Paulo jamais pregaria. Rio de Janeiro: CPAD, 2008, p. 25.


 

terça-feira, 2 de março de 2021

Dois ungidos

 


(1 Sm 16.14-23)

 

                No capítulo dez e versículo seis do primeiro livro de Samuel, lemos que Saul foi ungido rei de Israel. O Espírito de Deus o tomou e transformou. Naquela ocasião ele também profetizou. Samuel ainda acrescentou no versículo sete do mesmo capítulo: “Quando estes sinais se cumprirem, faze o que achar melhor, porque Deus é contigo”.

                Saul tinha autoridade e “carta branca” com Deus. Tudo o que fizesse Deus abonaria. Porém, progressivamente, esse homem foi perdendo o Espírito que estava nele, e, na medida que isso acontecia, um espírito mau o possuía, substituindo nele o bem pelo mal. Suas atitudes então começaram a causar sérios problemas.

                Josefo apresenta Saul como possuído pelo demônio, alguém que perdeu a coragem e a grandeza mental. Que se tornou fraco e tolo, temeroso e medroso, cheio de inveja, suspeita, ira e desespero, totalmente ao contrário do que era quando surgiu nas páginas da Bíblia Sagrada.

                Champlin observa que o texto hebraico não acrescenta a palavra “maligno” após a expressão “espírito” que atormentava Saul, mas na septuaginta, vulgata e outras versões, como as usadas no Brasil, aparece. Ainda acrescenta que, naquela ocasião, coisas más também eram atribuídas a Deus, tendo como exemplo os deuses pagãos que respondiam com maldades quando não eram agradados. A teologia dos hebreus era fraca sobre causas secundárias, afirma Champlin. E é por isso que por vezes nos pegamos a pensar como um espírito mau seria enviado por Deus, que é bom e justo.

                Com certeza a maior parte dos casos de possessão requer um convite da pessoa, uma brecha que se deixa ou uma porta aberta através da degradação moral, drogas, alcoolismo e muitas coisas que falamos sem medir consequências. Nesse caso podemos incluir Saul, o rei que começou bem, mas a vida de violência, guerras, assassinatos e poder quase absoluto lhe corrompeu a alma, além de ter violado propositadamente os mandamentos de Deus. Tudo isso corroborou para o resultado desastroso da vida de Saul.

                Satanás aproveita para pescar em águas turbulentas, e a situação mental de Saul abria-lhe muitas brechas para efetuar sua obra maligna a ponto de a situação ser evidenciada entre seus servos, que provavelmente começaram a observar as ações do rei e estranharam suas atitudes. Uma pessoas guiada por um mau espírito de forma alguma poderia liderar com sabedoria

                A música tem servido de grande auxílio no decorrer da história, em casos de grande emoção, problemas mentais, etc. Os filmes ainda hoje usam a música para influenciar os sentimentos de seus espectadores. Cenas de filmes e novelas sem música teriam outro ou nenhum significado para quem assiste. A música é usada inclusive nas chamadas terapias musicais para a cura de vários tipos de enfermidades.

                Os servos de Saul, sabendo disso, propuseram a ele: envia um de seus servos a buscar alguém que toque harpa, e logo um deles já apontou Davi e listou suas virtudes (1Sm 16.18): sabe tocar harpa, forte, valente, homem de guerra, fala com sensatez, boa aparência, e o Senhor é com ele.

                A partir deste versículo começam a diminuir as diferenças entre os dois ungidos (Saul e Davi), surgindo então os contrastes. Davi, que estava na posição de pastor de ovelhas, o que não era nenhuma humilhação, pois filhos de ambos os sexos das mais ilustres famílias desempenhavam tal ofício devido à pouca oferta de trabalhos na época, agora experimenta uma mudança radical, migrando de entre as ovelhas diretamente para a corte, para junto do rei, transformando-se assim em alguém que teria a incumbência de proporcionar paz, através da música, ao homem mais importante do reino, tornando-se  ainda o escudeiro do rei.

                Deus às vezes eleva as pessoas diretamente ao nível que Ele deseja, assim como aconteceu com José, de prisioneiro a governador. Com Davi foi diferente. Primeiro serviu para depois ser servido, e serviu alguém que inclusive atentou contra a sua vida. Realmente viveu um tempo de aprendizado, conhecendo a vida na corte, estabelecendo alianças, amizades. E como escudeiro de Saul, Davi aprendeu a arte da guerra. Não podemos esquecer que esse tempo, matar era uma das condições para ser um bom rei, e nesse quesito o jovem ultrapassou o seu senhor, matando seus dez milhares, enquanto Saul, seus milhares.

                A Bíblia registra que Saul gostou muito de Davi. Jovem era esperto, ágil, e com o auxílio do Espírito de Deus que o havia tomado se adiantava às ordens de Saul. Sendo assim, o rei pediu a Jessé que o deixasse ficar com ele, pois era uma excelente companhia, principalmente nos momentos em que o espírito mau dele se apossava.

                Pessoas que possuem boa comunhão com Deus, de caráter e que têm virtudes, são excelentes para estarem perto, para um bom relacionamento, para amizades, em especial aquelas que nos aproximam de Deus. E Davi era essa pessoa que fez a diferença na vida de Saul.

                Poderíamos tirar muitas outras lições deste texto, mas o Espírito Santo pode te revelar mais ao ler esse capítulo. Deus abençoe a tua vida, leitor, que o Espírito de Deus seja teu companheiro em todos os momentos e circunstâncias, para que se cumpram as promessas de Deus em nossas vidas, assim como aconteceu a Davi.

 

Pr. Leandro da Silva

domingo, 19 de abril de 2020

Os caminhos dos homens e os caminhos de Deus

Porque os meus pensamentos não são os pensamentos de vocês, e os caminhos de vocês não são os meus caminhos”, diz o Senhor.
“Porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim os meus caminhos são mais altos do que os seus caminhos, e os meus pensamentos são mais altos do que os pensamentos de vocês. Is 55.8-9

Nos momentos de crise é quando a maioria daqueles que creem em Deus buscam refúgio em Sua Palavra. Procuramos textos bíblicos para nos localizarmos, para termos argumentos e para entendermos o porquê das coisas que acontecem, o que nos traz certa calma e direciona nossos pensamentos para que a alma não se entristeça.
Pelo texto bíblico acima, se bem interpretado, concluímos que Deus está nos dizendo: acalme-se, tranquilize-se, o que vocês estão enfrentando é apenas uma pedra no caminho, é um momento de dificuldades que vai passar, não pensem que isso vai durar a vida toda, pois os pensamentos de vocês não vão além do agora, e os meus são eternos.
“Não vos conformeis com este mundo...” (Rm 12.2). Para praticar esse conselho de Paulo, é só colocarmos as nossas mentes a serviço de Deus e entenderemos o que Deus tem para nós. Ele tem algo muito maior, mais sublime, um caminho aplanado e com sinalizações bem definidas.
O mundo está em aflição, a população mundial está agitada. Mas o povo de Deus não se permite ser formatado com as pressões do presente século. Não pense como o mundo, não siga o mesmo caminho, permaneça no caminho que Deus preparou para você, e, com certeza, você não será decepcionado.
É complicado viajar com alguém que procura dar opinião no trajeto em que escolhemos para trafegar? É difícil ser orientado por quem não conhece a estrada? Agora imagina Deus, o Deus dos céus, que conhece todas as coisas, que conhece o futuro, ter de tolerar o homem tomando seus próprios caminhos sem saber o que vem depois. É necessário que todo cristão aprenda isto, os caminhos e pensamentos de Deus não são os mesmos que os nossos.
Entender isso é humilhar-se na presença dEle, é reconhecer que estamos muito aquém dos planos de Deus e que, definitivamente, não somos páreo para Ele.
É necessário reexaminar nossos sentimentos humanos e nos voltarmos para a escola de Deus. É necessário nos tornarmos como crianças (Mt 18.3) e entendermos que nossas expectativas são muito pequenas ao olharmos para Deus. Quando comparamos duas pessoas adultas, fazemos uma espécie de paralelo, mas quando uma criança olha para um adulto, ela entende que está em nível inferior. Assim nós precisamos entender que não devemos traçar paralelos entre Deus e nós.
Entre os caminhos divinos e os caminhos dos homens existe um abismo. Eles não levam para o mesmo lugar. Mas nós, como temos livre arbítrio, devemos escolher se queremos andar em caminhos inferiores e decidir a nossa caminhada, ou fazer como aponta o salmista no Salmo 37.5: “Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e ele o fará”.
Os caminhos do homem são práticas pré-estabelecidas, são atitudes que geralmente copiamos de outros, são práticas aprendidas com nossos pais através da cultura em que estamos inseridos. E os pensamentos humanos são apenas conceitos, ideias que ouvimos durante nossa caminhada terrena. Porém Deus age na esfera do sobrenatural, do eterno, Ele não vive nem pensa nessa atmosfera inferior, comum dos homens, pois os seus caminhos são superiores aos nossos.
O coração do homem pode fazer planos, mas a resposta certa dos lábios vem do Senhor” (Pv 16.1). O homem traça o seu caminho, mas, se quiser, se tiver interesse em saber se está realmente correto e conforme a sua Palavra, ouça a Deus, pois é dEle que vem a resposta certa.
Tudo o que estamos vivendo hoje são caminhos de Deus. Se o homem não aceitar andar nele, não será forçado a fazê-lo; poderá seguir seu próprio caminho. Entretanto, aquele que aceitar caminhar pelos caminhos do Senhor chegará ao destino preparado por Deus para todos aqueles que o aceitarem.
Não fique ansioso, não esteja temeroso, Deus é quem controla o mundo. O poder está em suas mãos. Tudo o que está acontecendo é permissão de Deus, são caminhos do Senhor, permaneça nEle e chegará ao destino que o próprio Deus preparou para você.
Como poderemos comparar os nossos pensamentos e nossos caminhos com os de Deus?
Acredite, Deus tem algo muito maior. Portanto espere passar todas essas coisas e desfrute do que Deus preparou para nós. Após a tempestade vem a bonança.

Pr. Leandro da Silva

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Lições do Bom Samaritano


Na Bíblia há uma história muito conhecida, registrada em Lucas, capítulo 10, a partir do versículo 25. Refiro-me a uma parábola que Jesus proferiu ao ser indagado por um mestre da lei, uma autoridade na lei mosaica.
Jesus não era bem vindo entre eles, os sábios. Prova disso é a ocorrência de vários conflitos entre Jesus e fariseus, saduceus ou com os escribas. A causa de não aceitarem Jesus é que Ele os ignorava, dava mais atenção aos pobres que viviam à margem do judaísmo. Essa atitude do Mestre incomodava os religiosos e, para piorar, Jesus falava muitas coisas que eles não gostavam de ouvir.
Em uma dessas ocasiões, um escriba ou mestre da lei resolveu pôr Jesus à prova. “Mestre, que farei para herdar a vida eterna?” Mesmo conhecendo a lei, a pergunta foi muito tola, pois deu a entender que o escriba conhecia, porém não vivia a lei. Ao ser questionado por Jesus, o homem falou da lei com muita facilidade, pois conhecia a lei de cor e salteado. Depois de ouvi-lo, Jesus simplesmente respondeu: “Então faça isso e viverás”. O Mestre sabia que ele não vivia o que falava. Ao se sentir encurralado com o conselho de Jesus, acaba caindo numa grande armadilha ao perguntar quem era o seu “próximo”.
Jesus responde com uma narrativa, a parábola do Bom Samaritano, para deixar uma lição não somente para o escriba, mas para todos nós. Jesus não define quem é o homem que descia. Não o identifica como identificou os demais personagens, simplesmente para que nós em nossos dias possamos entender que não é raça, cor, cultura ou classe social que define o nosso “próximo”, significando que qualquer pessoa que estiver necessitada de ajuda deve ter a nossa atenção.
Em certo momento, Jesus acrescenta personagens, dois símbolos da religião judaica, o sacerdote e o levita, que na época estavam mais preocupados com o ritualismo e com o cerimonial do que com a vida prática. Provavelmente eles tinham vários motivos para não atender o necessitado, mas nenhum desses motivos servia como desculpa para deixar o necessitado abandonado à beira do caminho.
Jesus então coloca um samaritano na parábola. Quem conhece a história sabe que o mestre da lei ficou intrigado com isso. A propósito, Jesus escolheu um desprezado samaritano para ilustrar o correto tratamento que se deve dar ao próximo. Mesmo sendo odiado pelos judeus, foi o samaritano quem parou para dar auxílio ao necessitado.
O samaritano, mesmo desvalorizado, tinha um coração amoroso. E a imagem do homem naquela situação foi a fonte da íntima compaixão que o motivou. É que ele sabia colocar-se no lugar do moribundo, algo que os dois personagens anteriores não tinham condições de fazer. A prioridade para o samaritano agora era auxiliar, ajudar, estender a mão, correndo os mesmos riscos, na mesma estrada perigosa, em situação de vulnerabilidade, mas reconhecendo que naquele momento o seu próximo precisava dele. Usou aquilo que tinha para o seu próprio uso, repartiu, gastou, deixou o conforto da sua cavalgadura e seguiu a pé. Detalhe importante: não foi aplaudido por ninguém.
Após finalizar a estória, Jesus perguntou ao mestre da lei: “Qual, pois, destes três te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores?”. Confesso que eu esperava outra resposta. Ele poderia ter dito “o samaritano”. Entretanto, mais uma vez ele provou não estar preparado para reconhecer o próximo, pois não teve coragem de identificá-lo, e disse: Aquele que usou de misericórdia.
Assim como o sol não escolhe para quem quer brilhar, o cristão não pergunta para quem deve fazer o bem, pois fazê-lo deve ser parte integrante de sua natureza. O amor benigno não reconhece fronteiras, nem faz distinção entre pessoas, mas socorre sem vacilar a qualquer um que tenha necessidade;
Com essa ilustração maravilhosa, não há quem não entenda que, para herdar a vida eterna, não basta saber a lei, mas é necessário praticá-la. Ali estava um mestre da lei que não conhecia o caminho. Na realidade ele queria saber o que fazer para “merecer” a vida eterna. Só que a vida eterna não está relacionada a merecimento.
Pergunto a você, querido leitor: o que tens feito para herdar a vida eterna?

Pr. Leandro Silva

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

O Senhor é o meu pastor


Salmo 23

A sociedade pós moderna nos influencia a sermos cada vez mais arrojados. Se estivesse à nossa disposição escolhermos as características de algum animal, provavelmente desejaríamos as mais marcantes, como ferocidade, velocidade, tamanho, rugido etc. Mas quando lemos o Salmo 23, nos deparamos com um homem chamado Davi, que lutou contra o urso e o leão, e ainda matou o gigante. Entretanto, parece que se contradiz ao escrever as seguintes palavras: “O Senhor é o meu pastor”. É sabido que nenhum outro animal necessita de pastor, a não ser a ovelha.
Não podemos afirmar se Davi escreveu o referido Salmo quando ainda era um jovem pastor ou na sua velhice. O certo é que, olhando ou lembrando as ovelhas, ele se deu conta de que, para ter um pastor, era necessário apresentar as características de ovelha. Então ele se projeta para debaixo do cajado de Deus, se coloca na posição ao ver que as ovelhas são dependentes do seu pastor.
Basta uma breve procura na internet para encontrarmos algumas curiosidades sobre esse animal fraco, indefeso e dependente de um protetor, para encontrarmos as seguintes características: extremamente dócil, não tem garras, não tem dentes fortes, não tem veneno, obediente, porém ingênuo em certos pontos, pois se perde do grupo por simples distração, não sabe se defender dos predadores, mas, em contrapartida, é muito inteligente, chegando a reconhecer a voz do seu pastor entre mil vozes.
São 1400 raças de ovelhas no mundo, que se adaptam às condições do local onde vivem. Algo que achei de extrema importância: elas se automedicam. Ao sentirem algum desconforto, procuram as plantas que curam. E, para encerrar, foi o primeiro mamífero a ser clonado. Essas características trazem alguma semelhança com os verdadeiros cristãos? Esses traços são visíveis em sua vida?
Analisando o que vimos acima, posso afirmar que ninguém tem o direito de dizer as palavras de Davi com a mesma convicção se não se considerar ovelha. Nenhum de nós tem o direito de afirmar que o Senhor é o nosso pastor se não nos enquadrarmos nas características desse dócil animalzinho. A experiência de Davi junto às ovelhas lhe indicava que elas eram necessitadas de proteção, porém, ao colocar-se sob o cajado de Deus, ele tinha a certeza de que nada lhe faltaria, assim como ele próprio fazia em relação às suas ovelhas.
As ovelhas do Sumo Pastor não têm falta de nada. Tudo o que a ovelha necessita está ligado a Ele. O Pastor conhece o olhar, o balido, e sabe o que ela precisa. É com esse conhecimento que Davi escreve: “nada me faltará”.
O que necessitamos, que não nos pode faltar? Seguindo o raciocínio de Davi no Salmo 23, encontramos o que a ovelha necessita diariamente:
a) ALIMENTO. Deus provê alimento para todos os animais, sejam eles dóceis, feras, domesticados ou selvagens, seja onde há fartura ou no deserto. Como não dará o alimento aos seus filhos? Ele provou ser o Deus da provisão lá no deserto, enviando o maná e as codornizes, mesmo para um povo que murmurava. Ele não vai deixar faltar o pão na tua mesa.
b) ÁGUAS TRANQUILAS. O pastor não leva suas ovelhas a águas correntes e bravias, mas a lugares onde elas podem hidratar-se com segurança. Essas águas tranquilas são símbolo do Espírito Santo, que nos limpa, que nos enche de alegria e manda embora as tristezas e angústias. Ele nos guia mansamente em busca do Espírito, através do seu grande amor.
c) DESCANSO. As ovelhas do Bom Pastor podem descansar, porque Ele cuida de tudo. Quando somos crianças, ainda dependentes do nosso pai, podemos dormir tranquilos, porque temos a certeza de que ele é o provedor, cuida das portas e das janelas se estão bem fechadas, ao meio dia a comida está na mesa, e assim podemos passar o dia brincando porque tem alguém que coordena todas as coisas.
d) REFRIGÉRIO. É inevitável que passemos momentos de tristezas. Nem sempre o nosso dia é como gostaríamos, às vezes estamos fracos, porque somos humanos e pecadores. Mas Deus é quem refrigera a nossa alma, que traz a palavra certa no momento certo, que nos faz enxergar o futuro e descansar sabendo que Ele é o nosso pastor. O refrigério vem através de uma palavra, de um louvor ou de um momento de oração, portanto, pode ser encontrado a partir de algo que está à disposição de todos nós.
e) AS VEREDAS DA JUSTIÇA. O cristão verdadeiro sente prazer em obedecer, ou seja, não obedece por obrigação, mas por amor, constrangido pelo exemplo do Mestre. A justiça de Deus é perfeita, nela não há injustiça, como paradoxalmente ocorre com a justiça dos homens. Se errarmos, experimentaremos as respectivas consequências na medida certa. Se formos corretos, seremos recompensados também na medida certa. Note-se que o Salmista usa o plural ao referir-se a “veredas”, mostrando que o caminho que devemos seguir é o que Deus preparou para nós, e não aquele que pensamos ser o melhor.
f) SEGURANÇA. O Salmista não diz que não haverá o mal, mas afirma que a ovelha não teme mal algum. Deus sempre nos avisa. Portanto, não teremos argumentos para culpar Deus se formos por caminhos tortuosos. Do contrário, se andarmos na sua luz, Ele nos protege. É notório que autoridades importantes se sentem seguras com os seus guarda-costas bem armados e tripulando carros blindados. E você, como se sente, tendo como protetor o ser mais poderoso do universo?
Eu sei que o amigo leitor é uma ovelha, tem características de ovelha, dependente do Sumo Pastor. Então você tem direito a todos os benefícios do Salmo 23. Deus o abençoe!
Pr. Leandro Silva

terça-feira, 13 de agosto de 2019

O processo de fabricação do vaso


Contudo, Senhor, tu és o nosso Pai. Nós somos o barro; tu és o oleiro. Todos nós somos obra das tuas mãos.
Isaías 64:8

Quando olhamos um vaso não imaginamos o processo que o barro passou para ser transformado em um objeto decorativo ou de uso pessoal. Na antiguidade os vasos tinham várias utilidades. Havia vasos para honra e para desonra (2Tm 2.20-21). Eram usados nas mesas como usamos hoje os copos e taças, mas também eram usados para o serviço doméstico e até como sanitários.
A Bíblia nos compara a vasos de barro, devido à forma da sua fabricação, o seu valor, assim como a sua utilidade.
O processo de fabricação inicia lá no brejo, quando o oleiro vai em busca do barro/argila. Ele olha aquele material ainda com um aspecto feio, malcheiroso, sujo, cheio de raízes e resíduos, mas já nesse momento consegue visualizar o vaso pronto, bonito e útil para alguma finalidade específica. Isso porque ele conhece a qualidade, a substância que tem aquela massa aparentemente inútil.
Levado para a olaria, o barro enfrenta vários processos, entre eles o descanso, limpeza, prensa e amassadeira, quando o barro é pisado, esquecido, cortado e amassado. Mas esse procedimento é necessário para que, ao ser trabalhada sobre a roda do oleiro, a massa esteja uniforme, sem sujeiras, sem pedras, sem bolhas e no ponto para ser moldada.
Note-se que no início do processo o barro não apresenta um aspecto bonito e limpo, mas de muita sujeira. E todos que têm contato com ele acabam sujando suas mãos e suas roupas, inclusive o local onde ele está sendo trabalhado também tem essas características.
Após o descanso do barro, já extraídos todos os resíduos e o excesso de água, o oleiro inicia a fabricação do vaso. Após girar a roda por um tempo, lá está o vaso que, depois de secar mais um pouco, vai para o forno a uma elevada temperatura, e então o oleiro tem a alegria de olhar e se orgulhar da sua obra.
A análise da fabricação do vaso nos traz muitos ensinos. Porém quero falar de apenas cinco situações que passamos para nos tornar um vaso de honra nas mãos do nosso Deus.
1. Escreveu o salmista, no Salmo 40: Tirou-me dum lago horrível, dum charco de lodo… Deus sabe o valor daquele a quem Ele próprio estende a mão e tira da vida de pecado. Deus sabe o que pode ser feito através daquele barro, e tem um propósito para ele quando passar por todas as etapas do amadurecimento. Isso trará dor, desprezo, perseguição. Deus sabe disso, pois Ele conhece o nosso futuro. Por isso Ele já visualiza o vaso que será construído. Não será um vaso qualquer, porque tudo o que Deus faz é bom e em tudo há proveito.
2. E o Deus de toda a graça, que em Cristo Jesus vos chamou à sua eterna glória, depois de haverdes padecido um pouco, ele mesmo vos aperfeiçoará, confirmará, fortificará e fortalecerá (1Pe 5.10). O processo que o barro enfrenta na olaria de Deus é doloroso, muitas vezes esquecido pelos homens, pisado pelos orgulhosos, amassado pelos que se dizem amigos, mas tudo isso é necessário, são etapas que transformam o barro em uma massa homogênea, um barro completamente moldável por Deus. Quando Ele o levar para a roda, não vai ter dificuldades para fazer conforme Sua vontade.
3. Ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres (Ef 5.11). O modelo e o tamanho do vaso não são projeto humano; “Ele designou”. Sendo assim, nós, os seus servos, não temos o direito de escolher o que queremos ser no Reino de Deus. Vemos muitas pessoas escolhendo cargos, correndo atrás de títulos, se especializando para alcançar objetivos ministeriais, cantando igual ao seu ídolo, pregando como o famoso pregador, o que não é escolha sua. Espera em Deus, que Ele está te formando conforme o seu querer. Deus sabe qual será a utilidade do vaso. Também precisamos saber que Deus não fabrica vasos por linha de produção, Ele se dedica a fabricar cada um, especialmente. Ele vê algo especial e diferente em cada um. Por isso não queira ser igual a ninguém, pois Deus destinou tempo exclusivo para te fazer um vaso especial e único.
4. Ou não sabeis que o nosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? (1Co 6.19). Lembra que para amolecer o barro e amassá-lo se faz necessário muita água durante o processo. Barro endurecido é impossível de ser moldado. A água, nesse caso, é o símbolo do Espírito Santo. Ninguém suportaria ser pisado, esquecido e amassado sem a ação do Consolador. Ele está presente em todos os momentos da tua vida, infiltrado em cada centímetro para que nada se perca, mas é inevitável que, quando o barro é deixado para descansar, a água comece sair lentamente, pois o barro não segura a umidade.
Mas tem o momento do forno, a última batalha do vaso, que é a prova de fogo. Mas assim como o quarto homem esteve na fornalha com os três moços, Ele estará contigo. Ao ser tirado do forno, algo muda no vaso, acontece uma grande transformação, e a água que não permanecia no barro, agora pode ser derramada em abundância, porque a forma côncava do vaso é própria para manter o Espírito Santo dentro de si. E as paredes do vaso agora não são mais barro, mas se tornaram uma espécie de cerâmica, impossibilitando a fuga da água. Nesse momento o homem estará desfrutando da total companhia do Espírito Santo, pois tornara-se casa, templo dEle.
5. Apenas duas são as ferramentas usadas por Deus para a fabricação do vaso na roda. Nenhuma outra é necessária para que o vaso saia perfeito. Após o pedaço de barro ser colocado “no centro” da vontade de Deus e começar a rodar, as mãos do Oleiro serão colocadas no interior do barro, fazendo as mudanças necessárias de dentro para fora, até que o vaso ganhe forma. E nesse processo não pode faltar água em abundância.
Não se deixe ser moldado por ninguém. Vaso que se preze segue o mesmo processo de fabricação dos tempos de Jeremias, não havendo necessidade de mais do que as mãos do Oleiro e água. Muitos querem fabricar obreiros por aí, mas não têm o mesmo resultado. Portanto, entregue-se nas mãos de Deus, com o auxílio do Espírito Santo, e verás onde você chegará!
Querido, você que está lendo este artigo, saiba que todo o processo de fabricação é doloroso. Mas ao atingir o status de vaso, verás que as etapas da tua vida espiritual e ministerial valeram a pena, pois você aprendeu muito, e hoje está sendo usado como um vaso para honra. Nenhum oleiro gostaria de produzir vasos para descarte, mas para usá-los com muito carinho e orgulho do trabalho realizado. Você é especial, você é um vaso exclusivo!

Pr. Leandro Silva

sábado, 6 de julho de 2019

Convenção na Argentina


Tive a honra de juntamente com o Pr. Argemiro R. da Silva, o Ev. Isaac Goulart e o Pb. Alceu Garcia participar de mais uma AGO da COMADAR (Convenção de Ministros a Assembleia de Deus na Argentina) na cidade de Oberá, Missiones, na ocasião fui um dos palestrantes sob o tema: Os conflitos no ministério pastoral. Louvo a Deus pela vida do Pr. Nilton de Oliveira, presidente; Pr. Selmo Batista, vice presidente e Pr. Gerson, anfitrião. Na ocasião também foi empossado como presidente regional da província de Córdoba o nosso missionário Ev. Flávio Pereira. A Deus toda a glória para sempre.


Pr. Leandro Silva

segunda-feira, 1 de julho de 2019

Perseverança


No evangelho de Lucas capítulo 2 e versículos 36 ao 38, encontramos um breve relato da vida da profetiza Ana. Essa mulher vivia no templo, dia e noite, orando e jejuando a Deus. Para nos localizarmos melhor, quero relatar a história que antecede esse momento.
Falamos do período interbíblico, o espaço de tempo entre o Antigo e o Novo Testamento. Foram mais de 400 anos de silêncio de Deus para com o seu povo. Mesmo havendo a promessa de um Messias, parecia que as coisas não estavam acontecendo como o esperado. No ano 175 a.C, Antíoco Epifanio assumiu o poder na palestina, iniciando assim um período dramático para os judeus. Esse líder proibiu elementos fundamentais dos costumes judaicos, tentou destruir todas as cópias da Torá, exigiu que o deus grego Zeus fosse cultuado e, por fim, o maior desrespeito para com os judeus, ele sacrificou um porco no templo de Jerusalém.
Ana nasceu nesse período dramático, mas a cultura judaica, os ensinos da Torá e dos profetas foram solidamente sedimentados em sua mente e em seu coração.
No ano 37 a.C, Herodes inicia seu governo sobre a terra santa (o período Herodiano).
Ana se casa, mas após sete anos do seu casamento seu marido vem a morrer. A Profetiza, então, sabendo da promessa de que haveria de nascer um que pisaria a cabeça da serpente, colocou no seu coração de dar a vida para servir no templo. E assim o fez.
Ana tornou-se uma autêntica mulher de oração, de jejum e dedicação ao Senhor. E mais: era uma mulher perseverante; esperava convicta o que Deus havia prometido, desejava com ardor ver a redenção de Jerusalém.
Certo dia Ana estava no templo, e entrou um casal com uma criança para ser apresentada a Deus, como era costume dos judeus. Creio que nesse momento Deus confirmou no coração de Ana que ali estava o começo do cumprimento da promessa. Conjecturo: Ana tomou nos braços, acariciou a criança, olhou para Simeão, que com um olhar e meio sorriso confirmou que em seus braços estava o Salvador do mundo, o libertador de Israel.
Não por acaso a Bíblia registra o testemunho desta mulher. A sua perseverança nos anima. Ela passou muitos anos servindo no templo sem se dar ao luxo de se casar novamente, aguardando o momento especial em sua vida: ter o menino Jesus nos braços.
Nós, cristãos, temos muitas promessas. A maior delas é a vinda de Jesus nos ares e, consequentemente, o arrebatamento. Mesmo assim, esperamos tantas coisas que pedimos a Deus, tantos sonhos que ansiosos aguardamos, porém, muitas vezes, não somos perseverantes como foi Ana.
Talvez alguém perguntasse a Ana: você ainda tem esperança de ver o Messias? Por que você não abandona essa ideia e volta para sua terra, para sua casa, e vai viver a tua vida? Assim estamos nós. A promessa do arrebatamento ainda não foi cumprida. Já se passaram dois mil anos, e ainda esperamos. Quantos morreram aguardando a promessa? Existem coisas que se cumprem nas nossas vidas quando ainda estamos vivos; outras podem se cumprir após a nossa morte.
A Bíblia não registra que Ana viu os milagres de Jesus, que Ana acompanhou as pregações dEle, que esteve presente na sua crucificação. Mas ela teve o grande privilégio de saber que Deus iniciou o processo de restauração de Israel com o nascimento do menino. Ana esteve com Ele nos braços.
O que você tem esperado de Deus? Por qual motivo tens sido perseverante? Contemple o bebê, tenha fé que tudo se cumprirá por completo. Talvez você não esteja mais aqui quando acontecer o completo cumprimento do propósito de Deus. Entretanto, a promessa já está em processo. Creia, assim como Ana. Não desista. Não desanime com o passar dos anos, porque Deus é poderoso e fiel para cumprir as suas promessas.
Deus abençoe a tua vida!

Pr. Leandro Silva

sexta-feira, 24 de maio de 2019

Oportunidade dispensada



Ao lermos o primeiro livro de Samuel, a partir do capítulo 24, encontraremos o relato de duas ocasiões em que Davi teve a oportunidade de tirar a vida de Saul, seu rei e sogro.
O atrito entre ambos já vinha de algum tempo, mas a partir desse capítulo se intensificou. Davi foi delatado pelos zifeus, e Saul arregimentou seus soldados (um número de três mil) para perseguir Davi e seus companheiros. A ordem era uma só: matar.
Para quem conhece a história bíblica, não é difícil entender que a morte de Saul daria o reino a Davi. Na verdade havia muita coisa a ser conquistada por Davi e, consequentemente, perdida por Saul. É nesse ponto que quero comentar uma das lições da vida de Davi que devemos aplicar em nossas vidas também.
Estamos vivendo dias em que as pessoas buscam espaços e oportunidades para subir na vida a todo custo, seja subindo degraus pelo próprio esforço, seja tomando o lugar de alguém. Modernamente, parece que todas as atitudes que tomamos precisam ter algo por trás no sentido da obtenção de alguma vantagem pessoal ou mesmo patrimonial. Uma amizade sincera é algo raro. De regra os interesses pessoais sempre falam mais alto. Já se tornou normal uma pessoa aproximar-se da outra apenas com o objetivo de conquistar algo, de buscar um favor ou uma porta para o sucesso. Ajudar quem não dá nada em troca está fora de cogitação. Quando uma pessoa consegue subir na vida, menosprezar e até zombar dos que duvidaram da sua capacidade de galgar uma posição de destaque representa a melhor parte da vitória.
Então me pergunto: será que a Bíblia nos dá o direito de agir dessa forma?
Saul forjou em seu coração vários motivos para tirar a vida de Davi. Sentia grande inveja pelo fato de Davi ter sido ungido por Samuel, o que fatalmente levaria à sua queda como rei. Então passou a agir com todas as forças para evitar que Davi tomasse o seu lugar. Nutria também um sentimento de ciúme desmedido porque o povo demonstrava grande amor por Davi, o que não mais constatava em relação à sua pessoa. Saul não admitia ficar em segundo plano.
Saul não entendia e não admitia, mas paralelamente havia algo extraordinário acontecendo. O plano de Deus na vida de Davi. O plano de Deus na vida do homem provoca as mais variadas consequências. Pessoas que diziam te amar e querer o teu bem, que precisam de você para muitas coisas, quando ficam sabendo que Deus tem um plano em tua vida, dão as costas, passam a ver em você apenas os defeitos (que todo ser humano tem). Quando sabem que você está prestes a ser abençoado por Deus e ter um ministério profícuo, os mesmos “amigos” passam a encontrar motivos de sobra para tentar acabar com teus sonhos, abortando teu ministério.
Não é necessário fazer nenhum mal; o simples fato de Deus começar um projeto através de ti, basta. Saul queria a morte de Davi, mesmo ele não cometendo nada contra o rei. Em Samuel 24.11 ele diz: “vê que não há nada na minha mão, nem mal nem rebeldia alguma, e que não pequei contra ti”. Três mil homens o perseguindo sem que tivesse levantado um dedo contra Saul.
É triste quando você sabe que aquele que quer o teu mal consegue reunir pessoas para lutar contra você. Mas é confortante saber que o plano de Deus, no final, sempre se cumprirá. Foi assim com Davi. Para vergonha de Saul, mesmo procurando todas as maneiras para tirar a vida de Davi, ele não conseguiu, e isso por um exclusivo motivo: Deus tinha um plano na vida de Davi.
Aos olhos humanos Davi tinha muitos motivos para aproveitar a ocasião e colocar um ponto final na sua fuga. Porém aquele que serve a Deus tem discernimento. Davi conhecia o Deus dos céus e suas leis, entendia que existem coisas que nós, seres humanos, devemos fazer, e existem coisas que só Deus tem o direito e o poder de fazer.
Davi deixou muito claro esse conceito quando, após cortar um pedaço da orla do manto de Saul, conseguiu vencer a tentação. Ele tinha discernimento, conhecia as leis de Deus, ele sabia que no momento de Deus ele chegaria onde Deus queria. Nesse caso, ele não deveria intervir no projeto de Deus. Aliás, ele se arrependeu inclusive de ter cortado o pedaço do manto do seu rei, entendeu que o mínimo mal que façamos ao nosso semelhante deve nos deixar com o coração pesaroso. Se isso não acontece é porque nossa consciência está cauterizada. Mas mesmo para nossos inimigos? Sim. A Bíblia nos ensina que devemos orar por eles.
O segundo encontro que Davi teve com Saul, a segunda oportunidade de tirar a vida do seu rei, nos traz uma lição importante. O seu servo Abisai lhe disse: “Deus te entregou hoje nas mãos o teu inimigo”, aproveita. Mais uma prova de que Davi era consciente, estava com muitos problemas, sendo perseguido, tinha promessas a serem cumpridas na sua vida, mas continuava tendo comunhão com Deus, sabia quando a oportunidade vinha de Deus ou do diabo.
O inimigo sempre tenta nos desestabilizar. Veja como ele armou para Davi. E se Davi tivesse aproveitado a oportunidade, talvez a promessa teria atrasado, ou talvez nem se concretizasse. Mas Davi soube discernir que aquele cenário, a ocasião não fora montada por Deus, e sim pelo inimigo. O Diabo arruma o cenário quando quer que pequemos contra Deus ou contra nosso semelhante.
Precisamos estar sempre vigiando para não cairmos no laço do inimigo. Toda vez que, para alcançar nossos objetivos, precisarmos cometer um pecado, um erro, temos a certeza de que não é Deus, mas o Diabo que está nos armando o laço.
Deus é quem dá a vida, e somente Ele tem poder para tirá-la. Pode você estar passando por problemas, perseguições vindas através de alguém chegado a ti, talvez da família, da igreja a qual congrega, mas não abra mão do teu caráter, não levante a mão contra ninguém, mesmo que você esteja em melhor situação, mesmo que o controle da situação esteja contigo, não use as oportunidades para ferir, matar ou humilhar quem quer que seja. Você precisa ser forte para vencer a tentação. Tenha consciência como teve Davi, que podia ter cortado a cabeça de Saul, mas preferiu cortar apenas a orla do manto.
Saiba que você só prova quem é e onde a tua fé está firmada quando você mostra o que tem nas mãos, diante das oportunidades. A orla prova que você é um ser transformado, que deixa tudo nas mãos de Deus; a cabeça de alguém prova que continua sendo dominado pela natureza pecaminosa.
Davi não matou Saul por impedimento de alguém, mas porque temia a Deus. Talvez alguém pode te dizer que você é covarde por ter agido como Davi, não aproveitou a ocasião, não tem objetivos. Mas eu posso te dizer que aquele que vence a tentação é porque está fortalecido em Deus, é porque confia na justiça divina e aguarda o momento de Deus, e o momento de Deus é o mais seguro para nós. Quando surgir ocasião como essa que você pode usar para teu sucesso, faça como Davi, chama teu irmão, dá um abraço, baixa a guarda e diga como Jesus falou, “Pai, perdoa, porque eles não sabem o que fazem”.

Pr. Leandro Silva